Rede Fetal Brasileira 

Obstrução urinária baixa


A obstrução urinária baixa ocorre pela presença de um bloqueio ao fluxo nomal de urina fetal, ao nível da uretra. Isto leva a um aumento da pressão, que dilata todo o sistema coletor à montante (bexiga, ureteres e rins) levando a falência renal progressiva. Pode ser causada pela presença de uma válvula de uretra posterior (localizada no terço proximal da uretra), ou por atresia uretral.


Sua incidência está entre 0,5 a 1 para cada 1000 nascidos-vivos. O diagnóstico pode ser realizado através de ultrassonografia morfológica a partir de 16 semanas, mas a suspeita pode ser levantada no exame morfológico do primeiro trimestre (11 a 14 semanas), através da observação de megabexiga.


Apresentação Clínica – através da ultrassonografia se observa dilatação da bexiga, ureteres e rins e, quando ela é completa, o líquido amniótico estará ausente. Habitualmente o terço proximal da uretra se encontra dilatado, levando ao aparecimento de uma imagem denominada chave/fechadura.

O tratamento intrauterino tem por objetivo aliviar a pressão progressiva sobre os rins, o que pode ser conseguido através da "derivação" da urina. Esta derivação pode ser feita através da colocação de um cateter na bexiga ou através da "abertura" definitiva da membrana no caso da VUP. A abertura da válvula pode ser realizada pela cistoscopia fetal (fetoscopia), onde uma pequena câmera observa o interior da bexiga e a superfície da válvula, usando o raio laser para "abrir" a válvula e, assim, corrigindo definitivamente o problema.


Indicação Cirúrgica e Preparo Pré-operatório – os critérios de indicação para o tratamento cirúrgico fetal se baseiam na investigação dos eletrólitos urinários colhidos sequencialmente, demonstrando que ainda existe uma razoável função urinária.
O tratamento pode ser realizado através da colocação de um cateter “double pig-tail”, que vai derivar a urina da bexiga diretamente para o líquido amniótico. Porém, através de uma cistoscopia fetal existe a possibilidade de fulguração direta, através do laser, da válvula de uretra posterior.


Critérios de cirurgia
Idade gestacional acima de 16 semanas (a megabexiga pode desaparecer espontaneamente até este período)
Os eletrólitos da urina fetal devem mostrar boa função urinária.
Cariótipo deve ser normal.
Ausência de outras mal-formações maiores ou de síndrome de megacistis/microcolon.


A utilização da via fetoscópica para acessar a bexiga do feto e fulgurar a válvula uretral seria um tratamento fisiológico (permite manter a função de esvaziamento e enchimento vesical) e “definitivo”, permitindo o diagnóstico diferencial com a atresia uretral. Porém, esta via ainda está sendo avaliada, não existindo estudos conclusivos sobre riscos e benefícios. Fístulas urinárias foram relatadas na tentativa de permeabilização da uretra.





Megabexiga no 1o. trimestre



​Válvula de uretra posterior



Válvula de uretra posterior - Cistoscopia



Atresia da uretra - Cistoscopia